Deu branco? Empacou no texto? A solução está mais perto do que você imagina

Oct 03, 2017
  • Finalmente você resolveu botar aquela história para fora, contar como foi difícil chegar até onde chegou, falar sobre a criação de um novo produto em que acredita muito, ou compartilhar um conhecimento com o mundo. Está tudo na sua cabeça e sua disposição para escrever está lá em cima. Mas quando você senta na frente do computador e abre o editor de textos… seus dedos congelam, como se o branco da página tivesse paralisado seu cérebro. E agora?

    Antes de mais nada, vale lembrar - ou revelar - que “empacar” acontece com todo mundo. Inclusive com profissionais do texto. Aliás, acontece mais com nossa categoria porque escrevemos praticamente todos os dias. Veja este post que fiz no Facebook: mais de 20 colegas, entre jornalistas, publicitários, escritores e conteudistas, falaram sobre o assunto (muito obrigada, gente!). Faça uma busca no Google. É comum. Não é à toa que é um tópico importante dos nossos workshops de escrita. Esse travamento é quase que inerente ao processo criativo.

    O que não deve ser encarado como comum é a desistência diante da página em branco.

    Menos julgamento, mais texto
    Mas antes de falarmos das dicas, gostaria de chamar a atenção para algo que considero importante. Na memória, o “branco” é um fenômeno biológico e psicológico complexo, como está explicado nesta matéria da Superinteressante. Na escrita, arrisco dizer que está só no âmbito psicológico, com travas que criamos especialmente devido a crenças limitantes como “não sei escrever”, “nunca vou conseguir fazer um texto que preste”, “não tem jeito, não consigo colocar minhas ideias no papel”.

    A jornalista Moema Luna também falou sobre isso:
    “A página em branco intimida mesmo. Um bom exercício é não pensar no que os outros vão pensar”, orienta.

    Ela acredita que uma boa alternativa é “começar a escrever com simplicidade, como se estivesse escrevendo para si mesmo”. E acrescenta: “Feito isso, vá ‘lambendo’ o texto [como um animal lambe a cria], a forma, mas também de forma simples, clara”. Outro ponto que vale registro: não ache que sempre vai conseguir sua melhor performance de primeira. Por mais que sites como o Spinner tentem fazer você acreditar que um bom texto sai em um clique, acredite, escrever é artesanal. Não é nada impossível ou acessível só para alguns privilegiados, mas precisa de um pouco de paciência e alguma refação.

    Agora, mais algumas dicas com técnicas, truques, práticas, rituais, feitiços e processos que usamos para encarar a danada da página em branco. Cada um vai encontrar seu(s) caminho(s). Tem gente que começa a escrever o texto pelo fim. Tem gente que sai para dar uma volta. Fiz a lista com uma mistura da minha experiência, de leituras como este artigo* e, claro, da participação dos meus colegas, quase meus coautores neste artigo.

    Domine o conteúdo
    Seja uma boa apuração jornalística ou o estudo de uma nova tecnologia para um artigo acadêmico, domine o assunto. Caso não se sinta seguro, reveja suas fontes, cheque novamente suas referências. Se você não tiver um bom conteúdo, ainda que seja para si mesmo, melhor nem passar pros outros pontos.

    Anote os pontos mais importantes
    Pense sobre o que não pode faltar no texto e anote tópicos, microtextos ou escreva palavras-chave à mão numa folha avulsa. Você pode desenvolvê-los aos poucos.

    Dê um tempo
    Às vezes a cabeça está apenas sobrecarregada e estacionada em um problema que ela acha que não consegue resolver. A solução para isso pode estar ao alcance das mãos, como sair do editor de textos e usar o bloco de notas ou Google Keep para digitar; ou exigir um pouco mais de esforço para dar uma volta na casa, tomar um café, comer ou dar uma volta ao ar livre.

    Sempre anote seus insights
    Antes ou durante a produção do texto podem vir ideias úteis. Talvez em horários inusitados ou até impróprios. Mas não deixe de anotar, seja num guardanapo ou enviando para si mesmo no WhatsApp, ainda que use só palavras-chave.

    Questione-se
    Investigue suas motivações para escrever o que está escrevendo. Quais seus objetivos? As respostas podem tirar algumas das travas.

    Rebele-se!
    Quem disse que um texto tem que começar a ser feito pelo início? Pode começar do fim, do meio. O importante é que o conteúdo da sua cabeça flua para a tela do computador.

    Sem drama e com prazo
    Não se entregue à ansiedade ou à melancolia. Você não deve deixar um bloqueio ser mais importante que seu conteúdo ou seu compromisso (com um jornal, com uma publicação acadêmica, com seu próprio cronograma). Por falar em compromisso, colocar um deadline, um prazo limite, pode ser importante. Aliás, muita gente funciona melhor sob a pressão do tempo.

    Viu? A solução está superpróxima: está com você, como anunciamos no título. Se usar alguma técnica que conheceu aqui ou tiver um jeitinho especial de destravar o fluxo do texto, conte nos comentários. Antes de terminar, deixo um agradecimento especial aos colegas que contribuíram para eu trazer essas informações até você (clique aqui para ver tudo o que cada um falou).

    Alessandra Barbarini
    Aline D’Amore
    Anna Litwak
    Bianca Bion
    Bruna Siqueira
    Dui Aguiar
    Eduardo Azevedo
    Eduardo Sol
    Elsen Pontual
    Fernanda Sobreira
    Flávia Vileicar
    Hiro Miyakawa
    Jorge Lucas
    Juliana Lopes
    Karla Larissa
    Marcelo Soares
    Mariana Dantas
    Mariana Mesquita
    Moema Luna
    Rafael Duarte
    Renata Ferreira
    Rosália Vasconcelos
    Tony Duda
    Wagner Lima

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