Startups e publicidade: existe um jeito certo de fazer isso?

Nov 07, 2017
  • Manguez.al, In Loco Media e Porto Digital estiveram representadas este mês no Tubo de Insight, evento promovido pelos estudantes de publicidade da UFPE. A nona edição foi realizada entre 23 e 27 de outubro. Eles queriam saber mais sobre a relação entre startups e publicidade. E lá fomos nós: eu, Ângela Valpôrto e Fernanda Villas Bôas conversar com a galera sobre como as ferramentas de comunicação entram na vida desses negócios inovadores.

     

    Ângela mostrou como a In Loco desenvolve suas ações, Fernanda contou como o Porto Digital atua na área. Foi muito bom. Antes delas, eu falei sobre ferramentas que tenho visto startups usarem. Para me ajudar na palestra, conversei antes, via e-mail, com Paulo Filho, da Berlim Digital, e com Geraldo DeLima, da CMNO, dois caras que representam bem essa metamorfose da publicidade e essa simbiose com a tecnologia e a inovação. Eles me deram material pra costurar o conteúdo e as experiências que começo a ter nessa área, como na frase abaixo.

     

    Incluí um pouco do que eles compartilharam comigo na palestra, mas nem tudo coube lá. Pra aproveitar a circulação desse conhecimento, fiz este texto. Espero que ele possa dar mais bases pra quem quer a ajuda da comunicação para vender mais e fortalecer sua imagem.


    Todo mundo usa ferramentas digitais
    Claro que isso não é novidade, mas vale a contextualização. Métricas e preços estupidamente mais baratos do que mídias tradicionais fazem das mídias digitais um sucesso entre empreendedores de startups e microempresas. E quando pontuo “microempresas” é porque não precisa estar por dentro de tecnologia para usar anúncios de Facebook e Instagram ou apostar em Google Adwords. Cursos como os da Berlim Digital preparam não só profissionais da área mas também pessoas comuns para usarem essas ferramentas.

     

    “Essas mídias deixaram a comunicação muito mais democrática, pois mesmo as pequenas marcas e startups podem competir e ter visibilidade com seus públicos, coisa que antes só conseguiriam se tivessem grandes verbas”, comenta Paulo Filho. Mas a opção pelo digital não serve só para orçamentos curtos, obviamente. O gráfico acima mostra como a publicidade digital cresce, mesmo quando o mercado está se contraindo. Paulo acrescenta que as plataformas de mídia programática, por exemplo, são fortes parceiras nesse processo. Por isso, ele complementa: “Atingir o público exato, com o preço justo e anúncio certo, sem grandes margens de erro e com mensuração de absolutamente tudo. Isso é, sem sombras de dúvidas, um grande fenômeno para as marcas”.

     

    Não siga o hype, siga seu cliente

    Quem nunca precisou anunciar na era pré-digital talvez não consiga captar como publicidade poderia ser inalcançável para novos empreendedores. Talvez assistindo à série Mad Men seja possível ter uma ideia. Verbas de centenas de milhares e milhões de reais, dólares — ou qualquer que seja a moeda — para estar na TV, no jornal e no rádio.

     

    Hoje, transformações digitais no mundo e, consequentemente, no marketing e em suas ferramentas, mudaram o jogo. Estratégias como as que envolvem marketing de conteúdo podem ir de centenas a poucos milhares de reais e ajudar muito uma startup. Novas assessorias de imprensa têm feito pacotes on-line acessíveis e empresas que só disparam releases a pouco mais de R$ 100 também chamam a atenção. Isso sem falar nos anúncios que mencionamos antes e em técnicas como as de growth hacking, que não estão totalmente imersas na comunicação, mas completamente conectadas a um de seus resultados, o aumento das vendas.

     

    Como parte desse mercado (pelo viés do conteúdo), um dos problemas que vejo é que muitos empreendedores pegam esse mix diverso, escolhem um hype e apostam nisso sem entender bem o que estão fazendo. Ok, é preciso agir rápido, mas vale a pena pelo menos fazer um pouco de pesquisa antes.

     

    Não vou entrar em detalhes agora, mas é preciso entender, por exemplo, que inbound marketing não é fazer dois posts por semana a R$ 30 cada um e mandar uma newsletter. Assessoria de imprensa não é disparar um release para todos os sites possíveis e imagináveis. Assim como jogar um monte de dinheiro no Facebook não é garantia de aumento nas vendas, ou postar no Instagram não assegura que seus seguidores vão acreditar em você num momento de crise.

     

    Falando assim, você pode pensar que estou desaconselhando o uso dessas ferramentas. Ao contrário, defendo (para desagrado de alguns colegas de profissão).

     

    Mas é preciso entender como cada uma realmente funciona para fazer as melhores escolhas para aquele momento. Será que sua startup precisa de assessoria de imprensa agora? Faria mais sentido começar com redes sociais mais fortes? É a hora investir em inbound marketing? São coisas a analisar a partir da sua estratégia, para que os esforços de tempo e dinheiro sejam bem aplicados.

     

    Negócios disruptivos também usam a publicidade tradicional

    Também é preciso falar das ferramentas “old school”, como malas diretas por correio, outdoor, televisão, panfletos, cartazes, etc. Elas não deixaram de ser importantes. Google e Uber usam por exemplo. Mas, sem dúvida, é algo para quando seu negócio já está com uma verba de marketing bem gorda. Nessa linha de pensamento, Geraldo DeLima vem provocar nossa fé no digital. Para ele, o problema de retenção afeta tanto ações on-line quanto off-line. “Tivemos um hype, mas isso passou, as métricas estão caindo e todas as estratégias digital se apoiam apenas na capacidade de mensurar melhor.” Para ele, a busca por relevância está acima das ferramentas.

     

    Não fique frustrado ou frustrada se você não encontrou uma lista de dicas ou ferramentas. Pelo menos você está interessado em ir além do hype, em nome da sua estratégia. Mas, como eu também gosto de dicas e aforismos, aqui vai um bem útil de Paulo Filho:

     

    “Planejar publicidade é planejar para pessoas.”

     

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