Vamos dar poder às pessoas através da escrita

Sep 08, 2017
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    Escrever é uma ótima forma de dar voz às pessoas para expressarem suas ideias, conectarem-se com outras e registrar suas jornadas, não importa quais as motivações. Escrever é barato, fácil e acessível, até mesmo em ambientes mais hostis — em uma guerra, um pedaço de carvão consegue riscar uma parede em ruínas. Vindo pros dias atuais, a presença cada vez mais marcante de plataformas de autopublicação como Medium e LinkedIn são reflexo disso: queremos contar nossas próprias histórias.


    Como jornalista, eu provavelmente deveria ter este conceito em mente. Porém, confesso que só agora, criando um negócio de escrita, isso veio à minha cabeça como uma ferramenta poderosa para construir o propósito do que estou fazendo.


    No artigo O computador para o século 21, publicado em 1991, Mark Weiser nos lembra que a escrita é uma tecnologia tão poderosa que sequer paramos para pensar que estamos escrevendo. Ela apenas existe. Quando você quer se comunicar com outra pessoa, escrever muito provavelmente é a primeira escolha depois da linguagem direta, aquela vem naturalmente de nossos corpos, como falar e fazer gestos. Assim, podemos considerar a escrita como algo muito próximo à nossa língua nativa, como uma extensão de nossas mentes, para alcançar outras mentes.


    No livro Escrita que funciona, Roman and Raphaelson completam minha compreensão quando dizem “o único modo pelo qual algumas pessoas conhecem você é pela sua escrita (…). Sua escrita é você. Ela revela como sua mente funciona”.


    O poder de ideias transformadas em palavras é outro aspecto. Elas podem mudar vidas, dando-lhes significado. Os grandes livros de nossa história estão aí pra provar isso. E também o cinema. Eu estava vendo o filme Papa quando pensei sobre isso. A obra é baseada na história real de um jornalista que se torna amigo de Ernest Hemingway depois que lhe envia uma carta. Nela, o jornalista conta que é órfão e que foram os livros de Hemingway que lhe deram ânimo para seguir em frente e alcançar o sonho de ser escritor.


    Registrar a trajetória de uma alma — em outras palavras, concedendo eternidade a vidas que, de outro modo, seriam esquecidas — é outro benefício da escrita. Isso veio à minha mente quando começava a ler o livro Terra sonâmbula, de Mia Couto. Cheio de lendas e realismo mágico, é sobre dois fugitivos de um campo de refugiados. Eles encontram um diário junto a um cadáver e começam a lê-lo. Os textos contam as aventuras de um jovem que deixou sua família por causa da guerra civil. Uma história perdida se ele não a tivesse escrito.

     

    Assim, decidi agrupar estes quatro insights em um texto, para organizar a forte lição por trás deles. Mas, agora, vem o desafio prático: e as pessoas reais que me rodeiam? Como posso ajudá-las a ampliar suas próprias vozes com este incrível e simples recurso que é a escrita?


    Como jornalista, fiz isso algumas vezes, porém mais como uma mensageira do que como alguém que lhes deu a ferramenta para elas se expressarem sozinhas. Agora, tenho um negócio através do qual posso fazer isso.


    Não sou demagoga. Preciso de dinheiro por meus serviços, já que meu sustento vem deles e eu, obviamente, tenho contas a pagar. No entanto, mais do que isso, há uma coisa maior aqui: a compreensão da importância do que estou fazendo. Isso não apenas vai melhorar a maneira como ajudo as pessoas que me pagam pelo que escrevo, mas também contribuir para criar caminhos para ajudar quem não pode pagar ou tem um orçamento muito curto apesar da enorme necessidade de se comunicar melhor. Eu não sou professora. Mas eu provavelmente posso dar uma mão a quem têm algo em mente e precisa escrever, independente de seu orçamento.


    Você pode contribuir com ideias (realistas)?

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